O vírus da violência doméstica

Destaque Mais Lidas, Fique por dentro, Leia Mais, Utilidade Pública 18 de março de 2021

Enquanto a necessidade do isolamento na pandemia da Covid-19 nos obriga a ficar em casa, as agressões contra as mulheres crescem. Teremos vacina contra essa doença histórica?

Estamos tentando nos proteger do contágio de um vírus que já matou mais de duzentas mil pessoas no Brasil e nos assusta com um cenário mundial desolador de 120 milhões de infectados e mais de 2 milhões de mortos. Estou há meses em casa, respeitando os esforços para salvar vidas e evitar o colapso dos hospitais. É imensa a preocupação com os que têm menos condições de se proteger e com os que perderam seus empregos em virtude da crise econômica que avança na mesma escalada. O vírus da violência doméstica é igualmente epidêmico. E cresce neste ambiente de tensão. A curva das agressões às mulheres aumenta na mesma progressão da curva epidemiológica do novo coronavírus.

Triste pensar que mulheres sofram violência dentro de casa num tempo que deveria ser de equilíbrio e foco na proteção contra um inimigo invisível que assombra o mundo. No isolamento social, elas ficam ainda mais vulneráveis aos agressores. Sim, são seus companheiros. Não deveriam ser chamados assim. Companheiros devem ser parceiros, respeitosos e gentis. As preocupações, o convívio tantas vezes difícil e a incerteza econômica nos deixam tensos. Mas nada justifica agressões.

O marido agressor tem o traço da covardia. Do machismo que destrói o amor. Da intolerância que desfaz laços e parte corações. É inaceitável que mulheres sejam vítimas de crimes dentro de seus lares, onde tentam se proteger e a seus filhos de uma enfermidade. Mas o vírus contra o qual lutamos historicamente segue fazendo vítimas. Permanece ferindo, humilhando e matando.

Teremos vacina contra esse vírus? É preciso criar condições, urgentemente, para que as denúncias sejam facilitadas. O acesso aos serviços policiais e à Justiça deve ter caminhos menos tortuosos. Autoridades e órgãos públicos devem ser ágeis.

Não é justo que tantas mulheres cumpram a correta orientação de ficar em casa quando é em casa que elas correm o risco de morrer. Ficar em casa não pode ser uma ameaça. Um lar deve inspirar segurança e paz. Jamais violência.

 

*Artigo originalmente publicado no jornal O GLOBO
* Créditos também  para revista VEJA e a jornalista Gisele Vitória

Luiza Brunet
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