2020 x Eleições Municipais: quem vence a pior?

Destaque Mais Lidas, Destaque Principal, Economia/Política, Fique por dentro, Mais Lidas, Utilidade Pública 11 de dezembro de 2020

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Há de se reconhecer que 2020 foi um ano um tanto atípico. Já no primeiro semestre o mundo foi assolado por uma pandemia que, desde então, se estende e não parece ter fim. O coronavírus ou covid-19, foi responsável pela morte de mais de 1 milhão de pessoas internacionalmente e infectou mais de 65 milhões. O vírus mudou nossas rotinas e rompeu com a ordem mundial que conhecemos há mais de 30 anos.

Na esfera econômica, o coronavírus trouxe danos irreparáveis: existem novas 32 milhões de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza no mundo, tivemos taxa recorde de desemprego e suspensão de trabalho em massa, sem falar na maior crise humanitária desde a 2ª Guerra Mundial.

 

A transição do primeiro para o segundo semestre foi marcada pelo importante movimento civil em prol das vidas negras, conhecido mundialmente como “Black Lives Matter”, ou na tradução livre, “Vidas Negras Importam”. Em seguida, fomos presentados com a alternância de poder no principal cargo administrativo dos Estados Unidos: Joe Biden foi eleito o 47º Presidente deste país, fazendo algo praticamente inédito na democracia norte-americana, o de desbancar um Presidente concorrendo a reeleição. Donald J. Trump perdeu a corrida nas urnas, em uma eleição marcada por extrema polarização e por declarações polêmicas de fraude eleitoral.

Principal ponto positivo da eleição norte-americana: o cargo de Vice-Presidente foi ocupado pela primeira vez por uma mulher negra e filha de imigrantes, a advogada Kamala Harris.

 

Brasil

No Brasil, 2020 também não foi um ano fácil. Até a presente data, o país era o 3º com o maior número de infecções de coronavírus. Mais de 175 mil pessoas morreram por conta deste vírus, o desemprego bateu recorde, com mais de 13 milhões de desempregados, um aumento de mais 35% se comparado a maio deste mesmo ano. Não podemos nos esquecer que, como se já não bastasse o cenário de insegurança e medo, tivemos também disputas de políticos vaidosos pelos holofotes de quem teria a melhor solução para lidar com a pandemia. Tivemos demissões de Ministros da Saúde e vacinas que talvez não sejam tão eficientes assim. 

Para completar as emoções advindas de todo esse cenário dramático, devemos lembrar que 2020 foi importante para a democracia brasileira, foi o ano das eleições municipais. Segundo o TSE, mais 147 milhões de pessoas estavam aptas a votar, espalhadas por 5.567 municípios. Foram mais de 556 mil candidatos disputando as vagas de vereadores (legislativo municipal) e prefeitos (executivo municipal).

 

Eleições atípicas

Com a pandemia chegando no Brasil, era de se esperar que a eleição de 2020 não iria ser como nos anos anteriores. Logo em julho as datas foram modificadas, e as eleições que ocorrem geralmente em outubro, foram adiadas para novembro (15 e 29 de novembro para primeiro e segundo turno respectivamente). Isso significaria mais tempo e mais ansiedade para as equipes de campanha e mais incertezas para o eleitorado brasileiro.

Já na apuração do primeiro turno, houve um significativo atraso para a divulgação dos resultados, somente no município de São Paulo a espera foi de mais de 12 horas. O TSE divulgou que o atraso foi provocado por uma falha no processador de um supercomputador e que, o prejuízo se deu apenas na divulgação e não no resultado das escolhas. Bom sinal! E isso significou que o segundo turno pôde fluir tranquilamente no dia 29 de novembro como programado.

Eleições encerradas e resultados apurados, o que isso significa? Como o coronavírus impactou os resultados e o que eles podem nos antecipar em relação a 2022?

 

Coronavírus e as urnas

Antes de comentar os resultados finais e o que eles significam, é imprescindível reconhecer o impacto eleitoral causado pela pandemia do covid-19. Diversas pesquisas apontam que o número de abstenção foi recorde dos últimos 20 anos, a média nacional para o 1º turno foi de 24% e para o segundo turno chegou a quase 30% – isso corresponde a mais de 11 milhões de brasileiros

O impacto com as abstenções significou menos idosos indo as urnas e mais políticos sendo reeleitos. Estudos apontam que em épocas de insegurança e incertezas as pessoas buscam rostos familiares para confiarem seus votos, isso foi ruim para políticos novos e pouco conhecidos. A taxa de reeleição para 2020 foi maior que 60%, um crescimento exponencial se comparado aos 40% em 2016.

Outro impacto foi nas campanhas: tivemos menos comícios e mais ênfase nas mídias sociais e no espaço digital. Os candidatos ficaram menos visíveis fisicamente para o seu eleitorado e a importante relação que se construía em anos anteriores não foi tão forte. Eleitores que tiveram menos acesso a internet, certamente tiveram um maior nível de desinformação sobre propostas e candidatos, isso é muito negativo pois acentua a desigualdade no país. Outro fator que foi negativo em termos de informação para o eleitorado, foi a redução dos debates na TV. 

 

Antecipação 2022

As eleições municipais são extremamente importantes para se medir a temperatura eleitoral do país e do que, a partir dela, pode ser esperado em 2022. 

O que ficou claro em 2020 é que, ao contrário dos norte-americanos, o brasileiro optou por menos polarização e mais moderação nas suas escolhas. Partidos de centro como o MDB, PP, PSD, PSDB e DEM, ficaram entre os 5 que mais elegeram prefeitos nos municípios. Candidatos que foram apoiados pelo atual Presidente Jair Bolsonaro (12 no total) não levaram a melhor nas urnas, parte disso foi por conta da rejeição a alguns condutas do Presidente, e parte disso foi o fato de Bolsonaro não ter partido político, o que impacta negativamente seus apoiadores, pois muitos não sabem exatamente quem está sendo apoiado pelo Presidente.

Também tivemos o fiasco eleitoral do PT. O partido em 2012 elegeu mais de 600 prefeitos, em 2020 não chegou nem a 200, nenhum prefeito eleito nas capitais do país.  Além disso, a sigla registrou seu pior resultado em eleições municipais na cidade de São Paulo, a qual já governou por anos. Alguns dos principais motivos para tal desastre eleitoral foi o fato do PT não escolher candidatos que dialogassem com um eleitorado mais jovem e progressista, e apostar na defesa de bandeiras ultrapassadas.

Porém, um novo partido conquistou o antigo eleitorado petista, destaque este para o PSOL com novas lideranças políticas como Guilherme Boulos, que apesar de não ter sido eleito na capital de São Paulo, fez uma campanha inovadora com um discurso idealista e bastante inclusivo. Outro importante resultado na frente progressista, foi a eleição de minorias como negros e negras, trans e mais mulheres, fator importante para a formulação de políticas públicas nos municípios. 

 

Mas será que isso significa então que a esquerda vai triunfar em 2022? Será que Bolsonaro consegue ser reeleito?   

Na verdade, é muito cedo para falar. O que podemos perceber é a mobilização de partidos de centro, com nomes como Luciano Huck, João Doria e o ex-juíz Sérgio Moro para lançar uma frente política em 2022.

Bolsonaro continuará com muita força. Ele perdeu parte do seu eleitorado mais abastado, mas ganhou e continua ganhando força no Nordeste. 

Quanto a esquerda, não se sabe ao certo, o que podemos afirmar é que certamente o peso do bom desempenho em 2020 vai respingar em 2022.

Uma coisa é certa: a falta de polarização nas eleições municipais vai ser recompensada nas presidenciais.

 

Maria Antonia De Carli
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