OMS em tempos de Covid-19

Destaque Principal, Economia/Política, Fique por dentro, Mais Lidas, Não categorizado, Saude, Sem categoria, Utilidade Pública 25 de abril de 2020

O que e OMS

Um dos principais atores do combate ao COVID-19 é a Organização Mundial de Saúde (OMS).
A OMS é alvo de críticas de alguns governos, o principal deles sendo o Governo Trump que recentemente anunciou a suspensão do financiamento para esta organização.
Mas o que é a OMS, o que ela faz e por quê ela é tão importante nesse momento?

Esse artigo busca elucidar os objetivos, acertos e falhas da principal organização independente de saúde do mundo.

O que é a OMS?

A Organização Mundial de Saúde foi fundada em 1948, e está subordinada ao sistema das Nações Unidas (ONU). Ambas as organizações foram criadas num contexto de mundo pós Segunda Guerra Mundial, onde cooperação e suporte internacional eram encorajados para que os países pudessem encontrar melhores soluções para problemas comuns. Chamamos de era do multilateralismo.

A OMS foi responsável por controlar surtos de doenças como a malária e a tuberculose, e erradicou a varíola. Isso per se já é um grande mérito, mas as atividades da OMS constituem muito mais: a organização é responsável por patrocinar programas para prevenção de doenças; desenvolver e distribuir vacinas seguras e eficazes; pesquisar diagnósticos farmacêuticos; distribuir medicamentos; prover suporte a países no combate de doenças e epidemias; e exportar equipamentos e staff médico para diversas nações.
A OMS produz uma série de publicações e recomendações anuais, além de investir em diversas campanhas de saúde para melhorar os hábitos de saúde da população mundial.

No inicio dos anos 2000, a organização foi uma das principais protagonistas para que a SARS (outra variação do coronavírus que também veio da China) não se espalhasse drasticamente pelo mundo. Nessa época a OMS tinha uma postura diplomática diferente da que vemos hoje, sua antiga Diretora Geral, a norueguesa Dra Gro Harlem Brundtland, foi a publico algumas vezes criticar países como China diante da sua omissão e postura de descaso em combate ao vírus da época.

Imagina se o atual diretor o Dr Tedros Adhanom agisse do mesmo jeito? Quem vocês acham que ele iria criticar?

Importante frisar que a OMS é financiada por contribuições de seus Estados-membros (Brasil sendo um deles) e por outros doadores externos, entre eles o Banco Mundial e a Fundação do Bill Gates que é a segunda principal contribuinte atrás dos Estados Unidos.

Infelizmente, como esperado, a OMS não foge à regra de características das demais organizações internacionais, que são conhecidas por sua alta burocracia, falta de dinamicidade e incapacidade de pensar “fora da caixinha”.

A OMS foi muito criticada pela sua postura no surto do Ebola em 2014. A organização foi condenada por descaso e lentidão, inclusive de demorar para declarar emergência mundial pública, o que fez com que os EUA interviessem com tropas americanas em países da África que na época estavam sendo assolados pelo vírus.
A descredibilidade só aumentou com e-mails vazados a publico destacando a incompetência de alguns empregados da organização, o que acarretou numa perda substancial de confiança institucional.

Porém, no atual momento COVID-19, a OMS é peça insubstituível no tabuleiro de batalha. A organização está concentrando e mobilizando os melhores pesquisadores e profissionais de saúde para encontrar as soluções mais efetivas de combate ao vírus, e no mais curto prazo. E para isso a cooperação internacional dos países é essencial.

O que é uma pandemia e o que isso significa?

O principal fator associado à caracterização de uma doença como pandemia é o seu fator geográfico.
Ao declarar o COVID-19 como pandemia, a OMS, com muita cautela, indicou que a contaminação do vírus se tornou global, ou seja, a doença já se espalhou e irá contagiar muitas pessoas ao redor do mundo simultaneamente.
Essa nomenclatura, em tese, não se caracteriza pela gravidade da doença.
Porém, não é subestimável a seriedade da pandemia do COVID-19, pois em menos de quatro meses um total de quase 3 milhões de pessoas foram infectadas mundialmente, totalizando 200 mil mortos. Além de ser um vírus novo, contra o qual o ser humano não possui defesas naturais, não há nem medicamentos ou vacinas que consigam proteger a população.

No âmbito político internacional, quando um alerta de pandemia é dado, espera-se que todos os países ajam de maneira prudente e comecem a adotar ações para conter a disseminação do problema e para cuidar dos pacientes adequadamente.
Para isso algumas estratégias emergenciais devem ser colocadas em prática pelos seus governantes.
Distanciamento social é uma delas.

A OMS e o COVID-19

Atualmente a OMS está sendo a principal organização trabalhando para conter o contagio e as consequências de saúde provocadas pelo COVID-19.

No inicio, a OMS tentou buscar respostas da China que recusou que a organização chegasse em Wuhan.
Porém, nas primeiras semanas de fevereiro, Dr Tedros se encontrou com o Presidente chinês Xi Jinping e as coisas mudaram. A partir daí a OMS entrou no país e vem trabalhando em conjunto com o governo chinês para encontrar uma solução mais eficaz para o atual momento.

A falta de fiabilidade internacional e o atual contexto global de tendência ao unilateralismo, fazem com que a organização possua uma postura menos incisiva e mais diplomática, para evitar atritos entre os Estados membros.
A OMS é criticada por essa posição mais passiva, principalmente por governantes autoritários e populistas que buscam desviar a atenção das suas peripécias e respostas incompetentes ao surto do novo coronavírus.

É preocupante ver a dessincronização global entre os órgãos internacionais e os países. O momento pede mais união e transparência.
Ao anunciar suspensão do financiamento a OMS, Trump legitima o posicionamento preocupante de reduzir a gravidade da atual pandemia.

Os líderes mundiais estão no spotlight, e como eles respondem à esta crise irá fazer toda a diferença frente aos seus cidadãos. Apontar dedos e encontrar culpados externos apenas retarda duas variáveis inevitáveis: a de que o vírus está aí e de que o contágio não vai parar, por isso é preciso agir em cooperação com demais países e atores da sociedade para que a resposta para essa crise seja dada da maneira mais eficiente possível.

 

Texto por Maria Antonia De Carli

Maria Antonia De Carli
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