Ondas Feministas

Economia/Política, Fique por dentro, Mais recente, Sem categoria, Utilidade Pública 20 de fevereiro de 2020

A primeira onda feminista, data do final do século 19. Surgiu com reivindicação das mulheres por diversos direitos básicos que já eram garantidos aos homens nessa época. A principal exigência era o voto feminino e o direito a uma vida pública, afinal o espaço das mulheres sempre foi dentro de casa. Então conhecidas como sufragistas passaram a criar agitações organizadas e aderir práticas, que na época eram conhecidas como terroristas, por chamarem atenção de autoridades. Muitas foram presas e algumas foram mortas. Esse movimento era mais presente nas sociedades europeias e americanas. Simultaneamente, nos EUA, houve o primeiro movimento feminista negro que reivindicava a abolição da escravatura.

A segunda onda feminista, começa em meados dos anos 1950 e vai até meados dos anos 90. Nessa época iniciou-se uma série de estudos focados na condição da mulher. Principalmente nas décadas de 1960/70 uma teoria-base se formula a respeito da opressão feminina, surge um feminismo mais radical (ou de raiz). As feministas dos anos 70 defendiam que as mulheres eram exploradas por conta do seu sexo e das suas funções reprodutivas. Discussões acerca da reprodução feminina e sua sexualidade foram muito populares. É mais ou menos aqui que começa a distinção entre sexo e gênero: o primeiro é característica biológica e o segundo uma construção social.

A terceira onda feminista surge nos anos 90, no momento politico pós-guerra fria, onde a cultura norte-americana se instalava com supremacia ao redor do mundo. Muitos atribuem o início dessa onda feminista ao surgimento de movimentos punk femininos, cujas ideologias giravam em torno da completa negação do corporativismo e da defesa do “do it yourself” ou “faça você mesma”. As garotas rebeldes da época falavam em prol das escolhas femininas na cultura pop, da liberdade de escolha, da mulher como voz ativa. Surge o movimento Girl Power. Essa onda se desassocia de qualquer tentativa de identificação de objetivos comuns, gerais ou padronizados, e sequer se reconhece como um movimento coletivo.
A terceira onda se apropria de objetos associados à sensualidade feminina (reprovados na segunda onda), tais como batom e salto alto. Aqui a defesa é pela liberdade individual de cada mulher.

Há também o surgimento do transversalismo, onde há a possibilidade de diálogo entre diferentes feminismos e as respectivas condições enfrentadas por mulheres ao redor do mundo – raça, nacionalidade, opção sexual, e outras. A ideia é se colocar no lugar da outra para tentar perceber melhor suas demandas.

Quarta onda: Feminismo, a palavra da moda?
Grande parte das acadêmicas feministas acredita estarmos vivendo uma quarta onda do feminismo, caracterizada principalmente pelo uso maciço das redes sociais para organização, conscientização e propagação dos ideais feministas.
Apesar de não haver uma convergência teórica, é apontada como pauta frequente no debate feminista a conscientização para casos de estupro, para casos de feminicídios, a representação da mulher na mídia, os abusos vivenciados nos ambientes profissionais e universidades, a postura de denúncia e a recusa ao silêncio. A mulher aqui está se apossando do seu ser desejante e ciente dos seus direitos como cidadã politica.

O movimento MeToo para a causa foi essencial. Graças ao fato de atrizes famosas e personalidades públicas estarem aderindo ao feminismo e se identificando como feministas, podemos considerar que o feminismo é a palavra da moda. Mas será que essa moda vai durar?

O feminismo é muito mais que uma palavra de moda – infelizmente ainda há um caminho muito longo pela frente, muita luta contra o preconceito. Para isso mulheres e homens devem se unir e se educar sobre a verdadeira essência do feminismo. Sem a parceria coletiva não conseguiremos atingir maiores ganhos.

Graças ao feminismo temos a liberdade de escolha, de profissão, estudos, de sairmos ou não de casa, de engravidarmos ou tomarmos anticoncepcional, de escolhermos o parceiro ou a parceira que queremos. Mulher tem que ajudar mulher.
Termino o texto com duas perguntas: para você, ficou mais fácil se reconhecer como feminista? Se não, será que é tão ruim ser feminista quanto dizem?

Bibliografia

https://medium.com/qg-feminista/o-que-são-as-ondas-do-feminismo-eeed092dae3a

https://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI314577,21048-Movimento+feminista+colaborou+para+degradacao+moral+que+vivemos+diz

http://unisinos.br/blogs/ndh/2013/09/09/reflexao-sobre-a-naturalizacao-do-machismo/

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-36522791

https://www.bbc.co.uk/programmes/p04jqs44

https://www.bbc.co.uk/programmes/p04jdc92

https://www.wnyc.org/story/taboo-feminism/

https://www.youtube.com/channel/UCeHsKGNUFp9kzPAg7Dvp5zQ/videos

https://www.freshminds.co.uk/jobs/fixed-term-contract

Texto por Maria Antonia De Carli

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