Como começar 2020 com uma comunicação menos violenta

Destaque Principal, Fique por dentro, Mais Lidas, Saude, Sem categoria 17 de dezembro de 2019

Após um ano de tantos conflitos, percebemos que a base de muitos deles é a comunicação ou a falta dela. E somente com um novo olhar (que permite a conexão com a humanidade dentro de cada ser humano ) é que podemos viver melhor e mais feliz.
Após períodos de tempos difíceis é muito comum vir à tona uma necessidade de refletir conflitos e vivenciá-los de forma diferente, mais humanizada e com maior foco no entendimento e bem estar. Foi assim em alguns momentos muito importantes da nossa história e alguns pesquisadores dão o nome de Três Grandes Ondas de Empatia Mundiais, como o momento após a Inquisição, o período após o decreto do fim da escravidão ou ainda, o fim da Segunda Guerra Mundial. Todos esses fatos históricos foram seguidos de um grande questionamento por parte da humanidade sobre conflito, violência e empatia.
E foi assim, nos Estados Unidos nos anos 60, após longo período de segregação racial, de conflitos regados a muita tensão que surgiu Marshall Rosemberg, especialista no assunto, que entendeu que era necessária uma nova forma de vivenciar esses conflitos, já que evita-los seria impossível.

E aí vem a questão: Será que diante do mundo em que estamos inseridos, com tanta agressividade a flor da pele, através da capa do anonimato das redes sociais, do perfil agressivo de grandes líderes atuais, dos efeitos do bullying, em nossas famílias e ate mesmo a produtividade e comportamento imediatista do ambiente corporativo que inserimos em todo o nosso ciclo de amizades. Será que é possível, uma comunicação não violenta com tanto estímulo vindo de direções opostas?

Marshall nos prova que sim e consegue nos oferecer ferramentas importantes para vivenciar o conflito com menos danos a nossa saúde emocional. A ideia inicial é interromper um discurso dominante e promover o fluxo, o dialogo e profundidade. O discurso dominante normalmente vem com culpa, punição, medo, falta de escolhas, único caminho, bem e mal e certo e errado. Esse cenário só dificulta qualquer entendimento pacífico. O caminho para um ambiente mais saudável é o que passa pela criatividade, colaboração, escuta ativa e atenção às necessidades humanas.

E para chegar a essa conexão precisamos entender que quando uma situação está tensa, precisamos avaliar muito as nossas expressões verbais e principalmente, não verbais: nosso andar, nossos gestos e expressões faciais. Neste momento é inútil entrar com muita teoria ou explicação racional sobre os fatos. Primeiro, é necessário criar um elo. E depois de estabelecer a empatia, aí sim, é o momento de colocar luz aos fatos.

No início de um conflito com carga emocional alta, se preocupe com seu corpo e o que ele está dizendo. E à medida que esta carga emocional cai, aumente aí o grau de informações sobre o conflito.

De acordo com Marshall, entender o passo a passo da comunicação da comunicação não violenta pode ser valioso na busca pelo consenso. E este passo a passo se resume em quatro pontos:

Observe a situação. Esse observar significa não avaliar, não julgar. É um difícil exercício se prender aos fatos, as datas, de forma objetiva. Diante de uma situação de comunicação violenta, tente se perguntar: apos tudo que me aconteceu, o que eu consigo fotografar, filmar? Essa pergunta nos ajuda a observar, sem avaliar.

Marshall diz: “eu não vejo um homem preguiçoso. Eu estou vendo um homem que está sem trabalho”.
Sem trabalho – é uma observação
Preguiçoso – é uma avaliação

Para aí sim, você detectar quais sentimentos essa situação tensa te provocou. O que você está sentindo? O que de fato está acontecendo? E o que você está precisando? São questionamentos que podem nos ajudar na direção da compreensão. Neste momento, visualizamos as necessidades: quais as mudanças necessárias essa situação está provocando? E quem deve fazer o que?

É muito importante conhecer as responsabilidades de cada um em todo o contexto para chegar ao ultimo passo que é o pedido. Esse pedido é o fechamento de uma comunicação não violenta. Um pedido que deve vir com significado e sentido. É uma finalização de algo a caminho de uma solução. Esse pedido deve ser claro, com data de início, com responsabilidades e atribuições bem estabelecida e envolvida em empatia.

Como na simulação a seguir:
Quando… (observações)
eu senti… (sentimentos)
por que … (necessidades)
é muito importante pra mim.
Gostaria de saber…. (pedido)?

As ferramentas da comunicação não violenta, conhecida como CNV, não evita o conflito, não evita as emoções que sentimos ao presenciar um momento de tensão, mas ela nos direciona, amplia nossa percepção, e nos ajuda a encontrar o caminho do entendimento. E é esse cenário de fluxo, de interação, de mais conexão e dialogo que desejamos a você em 2020!

Juliana Albanez
Jornalista, especialista em comunicação, palestrante internacional, escritora, autora do livro: Pitch – 3 minutos para comunicar e vender.

3 Comentários para “Como começar 2020 com uma comunicação menos violenta”

  1. Fabio Carvalho em 17 de dezembro de 2019 @ 14:23

    muito bom, compartilhando com minha equipe.

  2. Excelente.

  3. Flávia Carvalho em 6 de janeiro de 2020 @ 02:52

    Artigo excelente e importante para a atualidade.
    Valeu!!!

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