Aspectos Psicológicos da Imigração

Cotidiano, Fique por dentro, Mais Lidas 9 de setembro de 2019

A forma e motivo pelo qual imigramos, como chegamos e como somos recebidos, determinará o relacionamento que teremos com o novo habitat.

O deslocamento poderá acontecer como uma imposição e uma necessidade, muitas vezes até de vida ou morte, como nos casos de refugiados políticos, vítimas de guerras ou desastres naturais. Este movimento pode ser chamado de imigração forçada.

Já a imigração voluntária envolve um certo grau de livre arbítrio, na escolha do novo local de residência e com quem e quando se vai. Esta seria a situação de pessoas que se mudam por motivos socioeconômicos, em busca de um futuro melhor. Porém, em muitos casos essa distinção entre imigração voluntária e forçada é mais difícil de ser feita, pois o imigrante socioeconômico poderá sentir que ele também não teve escolha, se considerarmos fatores como a pobreza, falta de oportunidades de trabalho, conflitos familiares etc.

O que e quem deixamos para trás também influenciará nossa adaptação ao novo espaço – se deixamos entes queridos, se dividimos a família entre os que ficam e os que vão ou se saímos com mágoas ou com vínculos danificados. Estes aspectos estão totalmente entrelaçados às nossas expectativas da “terra prometida”. Podemos vir com esperança, com vontade de aprender, de explorar e se inserir na nova cultura. Ou podemos chegar com raiva, derrotados, ressentidos e com medo de não sermos bem recebidos.

O psicanalista e psiquiatra Arturo Varchevker usa o conceito de Imigração Interna e Externa para descrever estes dois movimentos que ocorrem em paralelo e que dependem um do outro. A externa irá mobilizar uma reação mental e emocional e, para a Imigração  ser bem sucedida, teremos que considerar o movimento interno que cada um de nós faz quando efetua-se mudanças.

O imigrante irá se deparar com inúmeras incertezas em sua trajetória e, reconhecer o relacionamento que terá com seu processo de deslocamento, é essencial para uma reorganização emocional nesta nova etapa da sua vida. Falhar nesta tarefa será se deparar com um “exílio interno”. Este exílio interno o incapacitará de lidar com suas ansiedades, perdas e incertezas, que a imigração externa certamente trará. (Varchevker, 2013).

O processo imigratório está interligado ao conceito de identidade e o relacionamento que temos com nós próprios e o meio em que vivemos. Nosso papel e lugar dentro de conceitos que reconhecemos como nossos, como nossa cultura, etnia, religião e grupos sociais ao qual pertencemos serão questionados. Imigrar é desafiar nosso próprio senso de identidade.

 

Daniela Lourenço é Psicóloga e Psicoterapeuta
dlourencopsychotherapy@yahoo.com
www.dlourencopsychotherapy.com
Referências:
Varchevker, A. (2013). Enduring migration through the life cycle. Karnac Books Ltd.
Imagens: pixabay – immigration

 

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