Um Guia de sobrevivência sobre a União Europeia: O Bloco mais forte e fragmentado do mundo – Parte 1

Economia/Política, Fique por dentro, Leia Mais, Saude 21 de julho de 2019

Comecemos com uma introdução à União Europeia (UE) e as primeiras perguntas para refletir!

O primeiro artigo que escrevi para o Portal Londres foi uma breve introdução ao “vírus” populista contemporâneo, e, ao que considero ser sua principal consequência negativa no cenário político atual: o Brexit. Finalmente, chegou a hora de falar da sua principal vítima, a instituição que mais sofre com o desenvolver da febre nacionalista/protecionista, a União Europeia.

Os últimos fatos associados à  UE levam a crer que o mais importante bloco econômico do mundo quer se reinventar. Para sobreviver, tudo indica que mudanças serão necessárias. A pergunta que fica no ar é: até onde a União vai arriscar mudanças para se manter viva?

União Europeia e o que ela representa:

A União Europeia é o principal bloco regional no contexto atual. Uma união política e econômica que celebra uma moeda única e um mercado em comum entre 28 diferentes países que se dividem por meio de 24 diferentes línguas.

Essa macroestrutura seria inconcebível há pelo menos 100 anos atrás, mas os europeus, após sofrerem duas brutais guerras no século 20, se empenharam em desenvolver uma estrutura baseada na cooperação de nações e descobriram que períodos de paz trazem ganhos muito maiores.

Porém, a sustentabilidade econômica desse modelo está sendo questionada. Será que um modelo constituído de tantas divisões culturais, políticas e econômicas pode se sustentar a longo prazo? Como a UE pode se tornar mais tangível aos seus eleitores?

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Obviamente, que, como qualquer outra instituição política, a UE possui falhas bastante complexas, todavia, o fenômeno de sua constituição é admirável e um aprendizado aos demais blocos regionais espalhados pelo mundo (vide o Mercosul).

Apesar do sucesso de sua constituição, é um pouco insano pensar que países com estruturas econômicas tão diversas devam se adaptar a encontrarem convergências econômicas e adotarem uma mesma moeda, isso implica em reestruturações institucionais muito complexas. Ou seja, esses países devem adotar mesmas políticas fiscais e monetárias, principalmente, para garantir a sobrevivência do euro.

Crise Econômica e má sincronização fiscal

Nos anos 2000, a União Européia estava vivendo seu auge: o mercado e a economia fluíam bem, o euro trouxe prosperidade a muitos países, sem contar a imensa abertura econômica e o poderoso status que muitos desses países membros passaram a ter.

Porém, as falhas do sistema vieram à tona em meados dos anos 2010, sobretudo após o clash econômico norte americano. Bancos europeus sofreram o impacto da falta de liquidez do mercado somada à necessidade de reestruturação fiscal que alguns dos países conhecidos como os países do sul da Europa necessitavam – Espanha, Portugal e Grécia. A matemática era simples: as contas não fechavam.

Políticas de cortes de gastos (austeridade) foram implementadas, e com isso investimentos, gastos do governo e empregos foram suprimidos. A população ficou num limbo econômico, sem dinheiro e sem perspectiva de trabalho para si e para seus próprios filhos – o desemprego entre os jovens em países como a Espanha chegou a bater 57% em 2014. Quem quer viver numa realidade assim?

Ao longo dos anos números oscilaram, mas a crise só fez aumentar e se tornar perene, sem uma luz no fim do túnel. Muitos dizem que a próxima economia a afundar será a Italiana (uma das 5 maiores economias membros do bloco, você pode imaginar o que isso significa para a UE?). Portugal e Grécia saíram do vermelho – mas as consequências políticas estão sendo coletadas no seguir.

Por conta de cenários assim, demandas para mudança são necessárias. O fator macroeconômico não é a única falha do bloco, uma das principais criticas à União está associada ao nível representatividade, responsabilidade e transparência política. Os eleitores ficam longe dos seus eleitos. O centro político da UE se encontra em Bruxelas, enquanto que o financeiro está em Frankfurt.

Os políticos que exercem cargos importantes e de liderança no bloco não são escolhidos por voto popular (exemplo o Presidente do Conselho Europeu). E o eleitor comum muitas vezes não tem noção do que se passa por trás das burocráticas portas do Parlamento – isso é falha crucial de uma das principais democracias do mundo. Numa era de tecnologia e rapidez de informação a democracia pede mais.

Acompanhe as partes 2 e 3 desta análise crítica que destrinchei nos próximos dias e fique informado sobre a Consequência Política: Europa Fragmentada!

Maria Antonia De’Carli é colunista do Portallondres.
Imagem: Euro – Pixabay

 

Maria Antonia De Carli
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4 Comentários para “Um Guia de sobrevivência sobre a União Europeia: O Bloco mais forte e fragmentado do mundo – Parte 1”

  1. Artigo conciso e muito informativo. Deu vontade de saber mais. Sigo aqui aguardando a sequencia.

  2. Parabéns Maria Antonia! Análise bem feita da atual situação político-econômica da UE e da ameaça tangente da sua fragmentação, esperando que não se torne realidade, principalmente agora com a renovação dos principais quadros que serão exercidos por importantes lideranças femininas atuantes no mundo econômico e político mundial.

  3. Parabens Maria, muito bom seu artigo! em 22 de julho de 2019 @ 14:57

    Parabéns pelo ótimo artigo !

  4. Isabel salles em 24 de julho de 2019 @ 06:05

    Artigo muito bom !
    Parabens Maria .
    Vc sempre surpreendendo com ótimas análises de assuntos interessantes e importantes do momento !
    Aguardando a continuidade .

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