O Milan de Sacchi e Berlusconi

Curiosidades de Londres, Esportes, Fique por dentro, Moda e beleza, Saude 16 de julho de 2019

Um time extraordinário! Uma zaga com o Franco Baresi, o inteligente Costacurta, os laterais Tassotti e Maldini jogadores polivalentes que atacavam e defendiam com aplicação feroz. Um meia do campo ofensivo e criativo com Donadoni, Ancelotti e Rijkard. O ataque dos dois holandeses que se entendiam com uma só olhada, o poderoso Gullit e o elegante Van Basten.

Desde o esquadrão do Bayern Munique, da década de 70, que uma equipe não conquistava a Europa de maneira tão intensa como esse Milan conquistou, un futebol ofensivo e propositivo. Desde aquela época que não se via uma equipe que dominava o adversário, não o deixava respirar, pela primeira vez um time italiano praticava um futebol ofensivo e espetacular com a linea da zaga muito alta.

O Milan não deixava espacos, sufocava o adversário. Atacar? Só se Baresi, Maldini e os outros permitissem. A torcida rossonera (chamada assim porque são as cores da camisa do Milan, e também uma definição para os fãs do Milan) cansou de comemorar títulos nos anos 88-90. É, esse time era mesmo encantado. Vamos conhecer melhor esse timaço, um time extraordinário que estrelou na Europa e no mundo de 1988-1990, e as vitórias desse Milan da era Sacchi-Berlusconi?

Bicampeão do Mundial Interclubes (1989 e 1990), Bicampeão da Copa dos Campeões da UEFA (1988-1989 e 1989-1990), Bicampeão da Supercopa da Uefa (1989 e 1990), Campeão Italiano (1987-1988) e Campeão da Supercopa da Itália (1989). É a última equipe a ter conseguido vencer duas Copa/Liga dos Campeões da UEFA e dois Mundiais de forma consecutiva.

Em 1986 um tal de Silvio Berlusconi, empresário italiano, assumiu a equipe de Milão com o objetivo de dar a volta por cima e devolver o time dos tempos do treinador Rocco e o presidente Carraro. Primeiro, contratou o técnico Artigo Sacchi, célebre estrategista, sonhador e amante do futebol ofensivo, contrário ao tradicional sistema defensivo do futebol italiano. Berlusconi também contratou  três promessas holandesas que começavam a brilhar na Europa: Rijkaard, Gullit e Van Basten. Aquisições feitas, base do time formada, era hora de botar essa turma para jogar. E logo o trabalho começou a dar resultados que ninguém esperava, a crítica italiana disconfiava muito no modo de ver o Futebol do técnico Sacchi, mas o técnico italiano continuou na sua visão de jogo ofensivo e propositivo, estava nascendo um time inesquecível.

O Milan na temporada 1987-88, já mostrando um bom entrosamento e estilo de jogo ofensivo e propositivo, a equipe foi campeã italiana depois de nove anos, ficando à frente do grande Napoli de Maradona, Careca, Ferrara e Alemão. A conquista levou sua equipe à disputa da Copa dos Campeões 1988-89.

O objetivo primário do Milan naquela temporada era, sem dúvida alguma, a Copa dos Campeões (hoje chamada Champions league). Na época, o sistema de disputa era muito diferente e não consistia nas fases que temos hoje, com qualificação, grupos e eliminatórias. Os clubes jogavam já em sistema eliminatório, em partidas de ida e volta. O número de participantes era diferente com menos times. Por exemplo, o Milan daquela temporada precisou de apenas nove jogos para ganhar a Copa dos Campeões, bem diferente de hoje em dia, quando um participante precisa de 14 a 15 jogos para ficar com o título.

No começo de sua escalada, o Milan ganhou facilmente o Vitosha, da Bulgária, por 7 a 2 no placar agregado. Na fase seguinte, o adversário foi o Estrela Vermelha, da ex Iugoslávia, que batalhou até o fim para não ser eliminado, só saiu nos pênaltis após empate em 1 a 1 nos dois jogos. Nas quartas de final, a equipe eliminou os alemães do Werder Bremen ao vencer por 1 a 0 no placar agregado. Na semifinal!

Bem, na semifinal o Milan empatou com o Real Madrid de Hugo Sánchez e Emilio Butraguenho em 1 a 1, e levou a decisão para o Estafio Giuseppe Meazza. Foi um show de bola, a equipe protagonizou um dos maiores bailes da história da Copa dos Campeões: 5 a 0, com golaços, lances magníficos, um jogo perfeito, as obras assinadas pelo trio holandês – Gullit, van Basten e Rijkaard. Foi uma das maiores derrotas do Real Madrid em competições européias de todos os tempos. Após o jogo, todos davam como certa a conquista da equipe italiana. Mas  faltava a final, contra o  surpreendente Steaua Bucareste, da Romênia, campeão europeu e da Supercopa européia em 1986.

Todos esperavam uma final equilibrada no Camp Nou, em Barcelona, entre Milan e Steaua Bucareste. Porém, apenas o Milan de Arrigo Sacchi jogou, deu baile e massacrou a equipe romena por 4 a 0, com o poderoso Gullit e o eleganteVan Basten, que anotaram dois gols cada.

Em seguida, era a vez de ir ao Japão e enfrentar o Atlético Nacional, da Colômbia, campeão da Libertadores de 1989. O Milan ganhou de 1-0, com gol do Evani, foi o gol que garantiu o título mundial ao clube italiano.

O Milan começou a temporada 1989-90 como o time favorito na Itália e na Europa.  Parecia não haver adversários à altura de Baresi, Maldini, Rijkaard, van Basten, Gullit. Adversários, sim tinha e de altíssima qualidade como o Napoli de Maradona e Careca que encantava a todos, com um futebol vistoso e mágico. Os embates entre as duas equipes eram titânicos, épicos e nunca tinha favorito. Em 1989, a campeã italiana foi a Inter de Milão. Em 90, foi o Napoli do Maradona a ficar com o scudetto.

A equipe começou a Copa dos Campeões de 1989-1990 eliminando o HJK Helsinki, da Finlândia, com fáceis 5 a 0 nos dois jogos. Na segunda fase, uma das vítimas do ano anterior: o Real Madrid. A equipe espanhola perdeu o primeiro jogo por 2 a 0, e não conseguiu reverter a vantagem em casa, ao vencer por apenas 1 a 0. Milan nas quartas. O adversário foi um surprendente Mechelen, da Bélgica, que tinha como melhor jogador o excelente goleiro Preud’Homme. Após empate sem gols na Bélgica, o Milan sufocou de maneira absurda o adversário no Giuseppe Meazza, e só venceu na prorrogação por 2 a 0.

A semifinal colocou dois tricampeões europeus frente a frente, o Milan e o Bayern München. O primeiro jogo teve vitória Milanista por 1 a 0, e a decisão ficou para a Alemanha. O jogo foi muito difícil e duro, e decidido apenas na prorrogação. O Bayern venceu por 2 a 1, mas o gol fora marcado pelo Milan e garantiu a equipe milanesa pela segunda vez seguida na final da Copa dos Campeões.

O Milan jogou contra o Benfica na final, com os brasileiros – Aldair, Ricardo Gomes,o título europeu de 1990. A final teve predominância territorial do Milan, mas a organização defensiva do Benfica era de difícil superação, graças também ao técnico sueco Sven Goran Eriksson mestre tático. O elemento que quebrou o equilíbrio foi o meia Rijkaard que avançou pelo meio de campo e tocou na saída do goleiro do Benfica, era o gol do título e do bicampeonato europeu, o quarto do Milan. Era a merecida consagração de uma equipe técnica, rápida e implacável.

Depois do bicampeonato europeu, o Milan venceu da Sampdoria na final da Supercopa européia, ficando com o título. No final do ano, foi a vez do  título mundial. O Milan enfrentou o Olímpia, do Paraguai, campeão da Libertadores de 1990. Teve vitória evidente do Milan por 3 a 0, com dois gols de Rijkaard e um de Stroppa. O Milan era tricampeão do mundo, bicampeão consecutivo. Mas como as vezes acontece estava chegando o fim de uma era.

Na temporada seguinte, o Milan foi eliminado para a equipe francês do Marseille nas quartas de final da Copa dos Campeões de 1991, a mesma coisa aconteceu na final da Copa de 1993, pelo mesmo Olympique, que provocaria, aos poucos, o abandono do trio holandês da equipe – Van Basten, Gullit e Rijkard. Mesmo com as conquista dos títulos italianos de 1992, 1993 e 1994, a equipe já não tinha o brilho e qualidade de 1989-90. O Time do Milan continuou muito competitivo, mas a magia do timaço bicampeão europeu e do mundo já havia chegado ao fim. O Milan da era Sacchi – Berlusconi nunca vai sair das memórias dos amantes do futebol.

 

 

 

Vincenzo D’Amélio é diretor do Portallondres fala 5 idiomas e Community Interpreter na UK.

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