Brasil 1982: imortais do futebol mundial

Curiosidades de Londres, Esportes, Fique por dentro, Moda e beleza, Saude 20 de junho de 2019

Tinha 16 anos quando pela primeira vez sentado em um sofá da nossa casa, na Suíça, assistia a um jogo dos “imortais”, assim gosto chamar uma das seleções de futebol mais encantadoras do futebol de todos os tempos. Tive a sorte de ver grandes jogadores, grandes seleções como a Holanda de 74, entre outros.

Mais o Brasil que iria dar show na copa da Espanha em 82, era algo mágico. A construção do time começou muito antes da Copa, com a entrada do técnico, Tele Santana, o treinador e célebre jogador do Fluminense, além disso um apaixonado pelo futebol e arte, no qual decidiu implantar essa filosofia e estilo de jogo na Seleção Brasileira.

Na década de 80, o futebol brasileiro vivia uma época de surgimento de muitos craques. O Flamengo tinha um time encantador com laterais espetaculares, tais como o Leandro e Junior, nas laterais, com técnicas modernas e extraordinárias. No meio de campo, Zico, um dos melhores jogadores Brasileiros de todos os tempos. Na zaga, chamada também “café com leite” – o atleticano, Luisinho, e o São Paulino, Oscar. E, ainda no meio do campo, o atleticano Cerezo, o Falcão jogador da Roma na Itália, o Doutor Sócrates, Éder e o Serginho Chulapa.

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Na Copa, o Brasil estava no grupo F ao lado da União Soviética, Escócia e Nova Zelândia. O Brasil ganhou da União Soviética de 2 contra 1, com um golaço de Sócrates e Éder, o jogo foi espetacular, com o Brasil dando show. Contra a Escócia, o Brasil ganhou de 4×1 (Zico, Oscar, Éder e Falcão) outra vez foi um show o Brasil jogava por música, dançando e marcando golaços, ganhando de 4×0 da Nova Zelândia, e avançou para a fase seguinte da Copa. O Brasil estava no grupo 3, com Argentina e Itália.

O Brasil encarou logo a Argentina que confiava muito no talento do garoto Diego Armando – Maradona – e na força do grupo que tinha vencido a Copa do Mundo, em 1978. Os “Hermanos”  levaram um chocolate do Brasil (Zico, Serginho, Junior) o final foi 3×1, o show foi completo pelo fato que Maradona foi expulso. A Itália ganhou também da Argentina 2×1, o Brasil precisava de um empate com a Itália para alcançar a semi-final. O Brasil – encantador, eficiente, rápido, fatal, artístico – contra a seleção Italiana “burocrática e sem brilho”.

Mas, como as vezes acontece, nem sempre o melhor vence. A Itália demostrou ser mais organizada, os defensores italianos Bergomi, Cabrini, Gentile, Collovati e Scirea (um dos maiores libero da história do futebol mundial) foram eficazes em fechar qualquer tentativa do time do Tele Santana. A Itália mostrou frieza e a precisão, o que o Brasil não teve para decidir o jogo, o centroavante Italiano Paolo Rossi marcou três gols e a Itália ganhou de 3×2, se qualificando para as semifinais e ganhou a Copa do Mundo.

Desde a Copa do Mundo de 1982, acredito que o Brasil nunca conseguiu formar uma seleção tão espetacular, artística e brilhante. Depois disso, o Brasil ganhou 2 Copa Mundiais, sim, mas com equipes que tinham mais garra do que arte.

O mundo inteiro (como eu mesmo) ficou órfão do futebol rítmico, feito com técnica de outro planeta, um show! As vezes penso que o único time que tinha o mesmo toque de bola e domínio do campo da seleção do Tele Santana foi o Barcelona de Pep Guardiola, outros imortais do futebol mundial. A Seleção Brasileira, de 1982, jamais irá ser esquecida pelos amantes do futebol. Essa Seleção vai ser imortal nas nossas memórias.

 

Vincenzo D’Amélio é Ítalo-Suíço, fala 5 idiomas entre eles, o português. Ele também é intérprete de comunidade no Reino Unido e diretor do Portallondres.

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