Profissão Midwife

Profissão Midwife

Quando ouvimos a palavra “midwife” pela primeira vez, corremos no dicionário e temos a tradução literal de “parteira” e de acordo com o que temos em nossa cultura, parteiras são as mulheres, normalmente mais velhas que antigamente, faziam partos nas fazendas ou cidades sem hospitais, como vimos em muitas novelas, certo?
Errado. Este nosso velho conceito cai por terra quando descobrimos que na prática a profissão de “parteira” aqui no Reino Unido tem formação acadêmica de 3 anos, e é uma das mais conceituadas e respeitadas, afinal de contas são elas que trazem os bebês ao mundo. Só para ter uma idéia, foram mais de 755 mil nascimentos em UK em 2017, de acordo com os números do Office for National Statistics.
Segundo estatísticas de outubro do mesmo ano, da fullfact.org, organização não-governamental que publica e verifica dados, existem registradas somente na Inglaterra cerca de 22.000 midwives, números que muitas pesquisas apontam não serem suficientes para atender toda a demanda. De acordo com The Royal College of Midwives, estima- se que há uma escassez de 3.500 profissionais na Inglaterra.

Para conhecer um pouco mais sobre esta profissão, conversamos com a midwife Suzan Corrêa, que é curitibana, casada, mãe de 3 filhos e vive em Londres há mais de 13 anos. Formada pela University of West London, trabalha como midwife no Sistema de saúde NHS e no setor privado, além de ser Doula e consultora em amamentação formada e credenciada pela UNICEF. Suzan também oferece cursos de preparação para o parto, cuidados com o bebê e amamentação, tem especialização em parto natural, é escritora de artigos sobre o assunto e recentemente tem se interessado e atuado na área de safeguarding, assistência para mulheres que precisam de atendimento social mais específico.

Suzan você poderia nos explicar o que é a profissão de midwife?

A Midwife é uma profissional capacitada através de uma graduação para atender gestantes durante a gestação fazendo o pré natal, atendendo a partos sejam estes em casa ou hospitalar, e também atendendo no período pós parto.
Na Inglaterra a midwife é reconhecida como um profissional responsável que trabalha em parceria com mulheres para dar o apoio, cuidados e aconselhamento necessários durante a gravidez, parto e pós-parto, para conduzir partos com responsabilidade própria e prestar cuidados ao recém-nascido. Este cuidado inclui medidas preventivas, a promoção do parto normal, a detecção de complicações na mãe e na criança, o acesso a cuidados médicos ou outra assistência adequada e multidisciplinar e a realização de medidas de emergência.

A Midwife tem uma tarefa importante no aconselhamento e educação em saúde, não apenas para a mulher, mas também dentro da família e da comunidade. Este trabalho deve envolver educação pré-natal e preparação para a parentalidade e pode estender-se à saúde das mulheres, saúde sexual ou reprodutiva e cuidados infantis

Você saberia nos dizer se sempre foi assim aqui na Inglaterra, foram sempre a as mulheres responsáveis pelos os partos?

Sim. A profissão de Midwife começou a ser reconhecida em 1902 com o Midwives Act.
Desde então está profissional passou a ser totalmente responsável a atender parto. Porém a própria história nos mostra que antigamente mulheres ganhavam seus bebês no seio dos seus lares acompanhadas apenas pelas então “parteiras tradicionais” e outras mulheres como irmãs, mães e etc.
O parto é um ato feminino, sendo assim nada mais justo do que ser acompanhado por mulheres além de seus companheiros, uma evolução que conseguimos com o tempo.

Qual é a rotina de uma midwife?

A Carga horária full time são 37.5 horas, são turnos de 12.5 horas, normalmente 4 por semana. O horário de break não é pago, e nunca tem break porque faltam midwives. Já tive esta experiência em todos os hospitais que trabalhei. É um trabalho extremamente estressante, você lida com emergências, com um número grande de pacientes, com a falta de staff. Digamos assim, são 10 midwifes por turno, você vai trabalhar tem 8, tem 7. Sempre tem alguém off sick, ou de férias, sempre tem um problema e você acaba trabalhando dobrado. É um trabalho que exige muita atenção, muita dedicação. Você tem que estar muito sóbria, com sua atenção totalmente voltada para aquela paciente.
Eu por exemplo¸optei por trabalhar somente à noite, só faço plantões noturnos, porque eu escolhi assim. Eu trabalho part time, mas mesmo assim o cansaço de trabalhar à noite é grande. Chega uma hora no meio da noite que você está cansada porque seu corpo não responde mais. Por mais que você durma de dia não é a mesma coisa. Você está lidando com duas vidas, então tem que estar muito atenta aos detalhes, ser acima de tudo muito responsável e saber o que fazer no momento certo, agir com clareza e experiência, principalmente nos momentos de emergência que são os mais críticos. Por outro lado é uma profissão extremamente gratificante, que eu não trocaria por nenhuma outra. Estar presente no parto, estar presente no momento em que uma família nasce. Ajudar uma mulher a ter o bebê dela, seja da maneira que for, é muito gratificante.
Uma coisa que a gente escuta muito na nossa profissão é que nossas mãos são as primeiras a tocarem o bebê quando ele chega ao mundo, temos que receber este bebê com carinho, com atenção para que ele carregue esta marca do nascimento com ele, não as marcas de trauma.

Vocês recebem apoio emocional ?

Infelizmente não, o NHS não tem dinheiro e estrutura para dar este apoio, para te tirar do trabalho, para te proporcionar uma terapia. Tem muita midwife que fica com depressão, stress, precisa ficar em casa por causa disto. Eu mesma já fiquei. Cheguei a um ponto de stress extremo achando que não ia mais conseguir trabalhar. Partos difíceis, traumáticos que deixam as midwives com o emocional muito abalado. Quando eu faço parto de bebê que nasce morto, isto mexe muito comigo também.

Mudando um pouco de tópico. Nós viemos de um sistema de saúde completamente diferente. Quais são os principais pontos que as mulheres brasileiras acham estranho, digamos assim, sobre o atendimento  à  gestante por aqui?

O que eu escuto com maior frequência das brasileiras aqui e o fato de “não ter um médico” nomeado à elas, e em muitos casos nem o médico elas vêem. Viemos de um sistema totalmente medicalizado aonde está enraizado o fato de “termos nosso médico” aquele qual cuidou da mãe, da irmã e agora cuida de você.
Aqui não. Aqui a mulher irá ser acompanhada por uma Midwife e aos olhos de quem não conhece a capacidade profissional de uma Midwife fica mesmo com medo e assustada. Porém eu como mãe que teve filho no Brasil e aqui, prefiro e acredito que aqui o sistema é muito melhor. Há controversias sobre este meu statement. Muitas acreditam que aqui não existe o direito de “escolha” como por exemplo escolher uma cesariana.
Porém aqui se da ênfase ao parto normal pelo fato dele ser a melhor opção, mas obviamente não para todas pois não podemos generalizar. Existem casos excepcionais que necessitam de um atendimento multidisciplinar e também uma cesariana quando existe a indicação, está opção também existe aqui.

Quando se lê sobre o assunto tem sempre a questão de a cada consulta ver uma midwife diferente, não teria como ser diferente?

Deveria e torcemos que em breve isso mude. Eu inclusive já tive artigos publicados sobre o assunto em uma pesquisa que fiz. A continuidade da profissional com cada mulher é essencial para o funcionamento lógico do acompanhamento, sendo assim a confiança existe na profissional o que deixa a gestante mais segura. O NHS no momento não tem recursos para providenciar uma Midwife para cada gestante devido ao número grande de gestantes que usam o serviço que nos últimos 6 anos aumentaram. Porém já existe um projeto no NHS para facilitar este modo de atendimento e esperamos que até 2020 ele esteja em prática.

Ainda é difícil para as mulheres, principalmente as brasileiras, aceitarem a idéia de ter parto normal ao invés de cesárea?

Muito. Isso é “cultural” se e que se pode dizer algo assim. Viemos de um país com o maior índice de cesárea do MUNDO. O Brasil e campeão mundial e autoridades como WHO, UNICEF entre outras já alertaram o Brasil sobre o risco que apresentam.
No Brasil a cesariana é uma “opção” e não uma necessidade. Muitas mulheres são enganadas por seis médicos com motivos absurdos para convencê-las a terem uma cesárea, pois para um médico no Brasil ele iria ganhar muito menos para ficar em um hospital esperando uma gestante em trabalho de parto, do que, no mesmo tempo ele poderia estar fazendo 3/4 cesarianas.
E uma situação difícil que leva as mulheres a aceitarem o que não precisam. Porém este quadro está mudando, ainda bem!

Em quais casos a cesariana é indicada pelos médicos em UK?
São vários.
Os mais comuns e de indicado real:
1) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;
2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;
3) Placenta prévia parcial ou total (total ou centro-parcial);
4) Apresentação córmica (situação transversa) – durante o trabalho de parto (antes pode ser tentada a versão);
5) Ruptura de vaso prévia;
6) Herpes genital com lesão ATIVA no momento em que se inicia o trabalho de parto (em algumas diretrizes, somente se for a primo-infecção herpética).
7) stress fetal durante o trabalho de parto

Porque você decidiu se tornar midwife?

Pela experiência que eu tive, tanto negativa como a positiva, pois ambas me abriram os olhos da importância do atendimento neste momento tão importante. Amo estar com mulheres e cuidar de mulheres. Poder facilitar e prestar atendimento com dedicação e amor neste período não tem preço. E muito satisfatório.

O que é ser midwife para você, Suzan?

Ser Midwife para a Suzan Corrêa e acima de qualquer coisa ter RESPEITO e um atendimento parcial sem julgamentos. O que é bom para mim, não é para você. Respeitar diversidades, aceitar diferenças e essencial.
Ser Midwife para mim, e o meu conceito sobre minha profissão e de Apoio, acolhimento, entendimento e muita dedicação. Midwifery é amor.

https://fullfact.org/
https://www.ons.gov.uk
https://www.rcm.org.uk/

ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA IMIGRAÇÃO

ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA IMIGRAÇÃO

A forma e motivo pelo qual imigramos, como chegamos e como somos recebidos, determinará o relacionamento que teremos com o novo habitat.

O deslocamento poderá acontecer como uma imposição e uma necessidade, muitas vezes até de vida ou morte, como nos casos de refugiados políticos, vítimas de guerras ou desastres naturais. Este movimento pode ser chamado de imigração forçada.

Já a imigração voluntária envolve um certo grau de livre arbítrio, na escolha do novo local de residência e com quem e quando se vai. Esta seria a situação de pessoas que se mudam por motivos socioeconômicos, em busca de um futuro melhor. Porém, em muitos casos essa distinção entre imigração voluntária e forçada é mais difícil de ser feita, pois o imigrante socioeconômico poderá sentir que ele também não teve escolha, se considerarmos fatores como a pobreza, falta de oportunidades de trabalho, conflitos familiares etc.

O que e quem deixamos para trás também influenciará nossa adaptação ao novo espaço – se deixamos entes queridos, se dividimos a família entre os que ficam e os que vão ou se saímos com mágoas ou com vínculos danificados. Estes aspectos estão totalmente entrelaçados às nossas expectativas da “terra prometida”. Podemos vir com esperança, com vontade de aprender, de explorar e se inserir na nova cultura. Ou podemos chegar com raiva, derrotados, ressentidos e com medo de não sermos bem recebidos.

O psicanalista e psiquiatra Arturo Varchevker usa o conceito de Imigração Interna e Externa para descrever estes dois movimentos que ocorrem em paralelo e que dependem um do outro. A externa irá mobilizar uma reação mental e emocional e, para a Imigração  ser bem sucedida, teremos que considerar o movimento interno que cada um de nós faz quando efetua-se mudanças.

O imigrante irá se deparar com inúmeras incertezas em sua trajetória e, reconhecer o relacionamento que terá com seu processo de deslocamento, é essencial para uma reorganização emocional nesta nova etapa da sua vida. Falhar nesta tarefa será se deparar com um “exílio interno”. Este exílio interno o incapacitará de lidar com suas ansiedades, perdas e incertezas, que a imigração externa certamente trará. (Varchevker, 2013).

O processo imigratório está interligado ao conceito de identidade e o relacionamento que temos com nós próprios e o meio em que vivemos. Nosso papel e lugar dentro de conceitos que reconhecemos como nossos, como nossa cultura, etnia, religião e grupos sociais ao qual pertencemos serão questionados. Imigrar é desafiar nosso próprio senso de identidade.

Daniela Lourenço
Psicóloga e Psicoterapeuta
dlourencopsychotherapy@yahoo.com
www.dlourencopsychotherapy.com

Referências:
Varchevker, A. (2013). Enduring migration through the life cycle. Karnac Books Ltd.

Vamos falar sobre Câncer de Mama?

Vamos falar sobre Câncer de Mama?

 

Estamos em Outubro e não tem como deixar de falar sobre o que este mês representa na prevenção do Câncer de Mama. As campanhas desenvolvidas no Outubro Rosa vêm nos lembrar e alertar sobre a importância do autoexame e da prevenção do câncer de mama.

O câncer de mama hoje é o câncer mais comum em mulheres e o segundo câncer mais comum em geral. Houve mais de 2 milhões de novos casos em 2018 no mundo segundo dados do instituto internacional World Cancer Research Fund.

 Segundo dados do Cancer Research UK, são  cerca de 55.000 novos casos de câncer de mama no Reino Unido a cada ano, cerca de 150 por dia (2013-2015). Este e o câncer  mais comum no Reino Unido, responsável por 15% de todos os novos casos.

Existe uma previsão que as taxas de incidência de câncer de mama aumentem em 2% no Reino Unido entre 2014 e 2035, para 210 casos por 100.000 mulheres até 2035. 1 em 8 mulheres e 1 em 870 homens serão diagnosticados com câncer de mama durante sua vida.

Para o Brasil, estimam-se 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres. 

É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença. 

Considerado relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Estatísticas indicam aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Existem vários tipos de câncer de mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, não. A maioria dos casos tem bom prognóstico. E a prevenção é extremamente importante nesses casos, quanto mais cedo descoberto maiores as chances de sucesso no tratamento.

Foi assim fazendo o autoexame que  a paulistana Ana Lívia Karagiannis, que mora em Londres há 24 anos, descobriu a doença. “Num autoexame após o banho e ( nem era Outubro) descobri um caroço tímido, que escondia um outro caroço, ambos revelados nos exames de imagem no hospital conta ela. 

Ana Lívia fala de como foi a sua reação quando recebeu seu diagnóstico: “Em princípio perdi meu chão, mas logo decidi que iria encarar com alegria, levar na leveza, já que ISSO SIM era opção minha… o como lidar ao contar para os queridos, como ter forças para lutar contra essas células … logo as peças foram encaixando e me dei conta de que há um casamento entre o estado de espírito do paciente e o tratamento oferecido, e que só tudo isso junto poderia trazer bons resultados”.

Num primeiro momento, segundo ela,  veio o questionamento porque eu? Mas depois pensou porque não eu? E passou a encarar o Câncer como se fosse mais uma tempestade que tinha que aprender a enfrentar, usando as armas que foram oferecidas para ela lutar e buscando aquelas armas internas para se juntarem ao exército medico, diz Ana Livia.

 Ela afirma que ficou preocupada em fazer o tratamento aqui, porque bateu insegurança, queria entender tudo na propria língua. Foi para o Brasil para contar pessoalmente sobre o caso para a família e fez consulta com a sua ginecologista e um oncologista por lá. A ginecologista disse a ela, que se ela pudesse escolher um lugar para ter câncer que ela estaria no lugar certo, já que o Reino Unido  tem grandes  pesquisas sendo realizadas, onde a  tecnologia de equipamentos e os recursos terapêuticos são de  ponta e onde está situado o renomado Imperial College. 

Assim Ana voltou para casa e começou seu tratamento. Sua primeira sessão de quimioterapia foi dia 15 de abril de 2015, desde lá 10 cirurgias entre as pequenas e as mais sérias, experiências com novas drogas, todo apoio necessário, um tratamento exemplar segundo ela, tudo oferecido pelo NHS, sem nenhum custo extra. Ela mesmo afirma que não acredita que teria tido este tratamento em qualquer outro lugar do mundo. A última cirurgia foi agora dia 12 de setembro, uma mamoplastia simples para ajustar a simetria dos mamilos. Os cuidados são recorrentes e eu contínuo sendo muito bem tratada, conclui.

Ana Lívia que é uma pessoa muito positiva, afirma que o que fez ela passar pela tempestade foi a certeza de que tudo seria passageiro, que o suporte incondicional da família e dos amigos e a vontade de viver foram as três forças mais poderosas de todo o processo, que se revezavam dando empurrões de incentivo.

Segundo ela, esses anos de tratamento estão sendo um aprendizado: “O câncer me ensinou que quem entra numa tempestade nunca sai igual, não estou falando apenas da parte física mastectomia, cicatrizes, mas em todos os sentidos.

Por isso a minha mensagem a todas as mulheres é, toquem-se, explorem seus corpos, examinem, procurem ajuda médica caso ‘sintam’ algo preocupante e, que esse alerta não sirva somente para Outubro Rosa!!  E para quem esta passando pelo tratamento eu digo, não é uma brisa, mas não deixe que se transforme num tsunami. Logo, logo passa esse tempo de tempestade e você vai se perguntar se foi você mesma a protagonista dessa história de vitória

Fontes: 

https://www.wcrf.org 

https://www.cancerresearchuk.org

http://www.inca.gov.br

Precisamos falar sobre Suicídio

Precisamos falar sobre Suicídio

“Minha dor é tão grande que a única saída é deixar de existir. Deixar de sentir, de pensar, de respirar”.  
 
Hoje se comemora o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. 
De acordo com estatísticas coletadas pelo Samaritans, mais de 800.000 pessoas no mundo cometem suicídio a cada ano. No Reino Unido e República da Irlanda houveram mais de 6.000 casos em 2017, sendo o maior índice cometidos por homens na faxia de 25-34 e 45-49 anos de idade. 
Falar sobre suicídio ainda é um tabu nos meios sociais, em nossas relações mais íntimas e até mesmo entre os profissionais da saúde. Muitas vezes acham que se falarmos ou perguntarmos sobre o tema, vamos estar colocando estes pensamentos na cabeça das pessoas, criando assim um problema que não existia. Mas este entendimento não é correto e não previne o mal. O que pode prevenir é exatamente o oposto – falarmos abertamente sobre o suicídio. Estarmos disponíveis para ouvir sem julgamento ou tentarmos resgatar a pessoa que está sofrendo. Para isso, precisamos lidar com nossos próprios medos e ansiedades que este tema nos gera. 
 
É difícil saber ao certo o que leva uma pessoa a pensar em tirar sua própria vida, mas as causas mais comuns seriam: doenças mentais, como depressão, distúrbio bipolar e esquisofrenia; experiências traumáticas, como abuso sexual infantil, violência doméstica, vítimas de conflito, guerra; abuso de drogas e álcool; desemprego; isolamento social e solidão; problemas de relacionamentos; perdas e luto; problemas financeiros; bullying e cyber bullying para as gerações mais jovens, entre outras.  
Como vemos, todos nós podemos potencialmente ser afetados por essas questões no decorrer da vida. E nós,  como imigrantes morando longe da terra mãe e sem o apoio de familiares e amigos, somos ainda mais propensos aos vários fatores descritos acima. Portanto, não devemos temer uma conversa franca sobre o suicídio. Poder falar abertamente será, na verdade, um alívio.                    
 

Daniela Lourenço é Psicóloga e Psicoterapeuta, residindo no Reino Unido há mais de 20 anos.
dlourencopsychotherapy@yahoo.com

Enderecos uteis
“Saúde e paz, o resto a gente corre atrás!”

“Saúde e paz, o resto a gente corre atrás!”

Saiba como funcionam os seguros de saúde aqui no Reino Unido

Uma das maiores preocupações do ser humano é com relação a própria saúde. Nós desejamos muito que a saúde não nos falte e de uma certa forma temos que estar preparados caso isto aconteça. Aqui no Reino Unido o sistema público de saúde chama-se NHS, mas também existem as seguradoras, que oferecem serviços semelhantes aos nossos conhecidos planos de saúde. O objetivo desta matéria é trazer informações de como o sistema de “health insurance ” funciona e assim você terá opção de escolher o que for melhor para você e sua família.

Para falar sobre este assunto conversamos com Alex Arruda, experiente consultor que trabalha na área de seguros há 13 anos aqui no Reino Unido. Recentemente ele foi contratado por uma grande empresa do setor para oferecer atendimento personalizado aos falantes da língua portuguesa.

Alex, quais são as diferenças básicas de um plano de saúde do Brasil com o daqui?

Para entender melhor a diferença básica entre os planos de saúde do Reino Unido e do Brasil, primeiro é que no Reino Unido é fácil haver um controle mais apurado de cada paciente, uma vez que existe um histórico de saúde individual de cada cidadão (GP), já no Brasil já não há como rastrear condições pré-existentes. Já hoje existem projetos e algumas empresas brasileiras estão adotando parte do sistema de saúde privado do Reino Unido e outros países, como por exemplo, inserção de sinistros e mesmo a criação de um sistema único para centralizar informações de pacientes e serem compartilhadas para seguradoras privadas. Segundo, os planos de saúde brasileiros são bem flexíveis e dão acesso a qualquer hora e direto aos profissionais que o paciente optar, isso já não acontece no Reino Unido, particular ou não é necessário que o paciente discuta o quadro clínico primeiramente com o médico do GP e só então será referido para a consulta com um especialista. Já existem GPs online onde os atendimentos são mais rápidos e feitos via Skype ou outros aplicativos de comunicação tanto no NHS como no sistema de saúde privado.

Porque as pessoas optam por health insurance aqui?  Você poderia traçar o perfil  delas por favor?

Existem vários motivos dos quais as pessoas optam por health insurance, entre elas acomodações privadas e não ter que pernoitar no WARD (quarto com 8 pessoas- exceção a doenças contagiosas), demora em consultas, demora em exames, atendimento mais exclusivo, cirurgias mais rápidas – dependendo do quadro clinico do paciente a situação pode agravar e dificultar ainda mais o processo de recuperação, tratamentos especialmente câncer mais rápido uma vez que sabemos que em se tratando de câncer o mais rápido mais chances de sobrevivência do paciente, inclusive acesso a medicamentos que não estão disponíveis no NHS que são mais eficazes, ou mesmo na ultima das hipóteses, utilizar o NHS e fazer o claim por noites hospitalizadas e receber em torno de £100 a diária. Não existe um perfil único para esse tipo de usuário, são famílias, pessoas que querem abater o imposto (TAX) obtendo um benefício (empresas Ltd), profissionais autônomos, geralmente são pessoas que priorizam a saúde e o bem-estar, e sabem o quão importante é receber o melhor e mais rápido tratamento possível e que necessitam retornar para suas atividades o mais rápido possível.

Fazendo uma estimativa qual seria o menor e o maior valor mensal de um health insurance para uma pessoa e o que benefícios são oferecidos?

E muito difícil estabelecer valores, uma vez que dois indivíduos com as mesmas características pagarão mensalidades diversas por morar em localizações diferentes (Londres e fora de Londres). Podemos citar como exemplo uma pessoa de 20 anos em Londres com um plano básico “Inpatient Only” irá pagar uma mensalidade de aproximadamente £20-£40 dependendo do provedor. Isto não inclui consulta com especialista ou qualquer exames de investigação, mas inclui Internação, procedimento cirúrgico, exames pós-operatórios e tratamentos limitados no período pós operatório). Claro que esse preço sobe de acordo com as coberturas extras (opcionais) como tratamento clínico psicológico, tratamento dentário, Outpatient (procedimentos que não necessitam internação & exames) e com essas coberturas extras a mensalidade pode subir para £ 200.00 ou mais dependendo do provedor. Já essa mesma pessoa morando no interior irá pagar em torno de £15 – £25 por mês para o plano básico.

Lembrando que gestantes não são cobertas por nenhum plano, exceto gestações com complicações, complicações no parto ou pós-parto. Por isso é importante incluir coberturas extras de acordo com as necessidades, e conhecendo todos os tipos de cobertura para não encarecer a mensalidade com opções desnecessárias. Existe uma seguradora no mercado com valores mais acessíveis que não faz o reembolso de despesas médicas que abre a flexibilidade em tratamento mundial, ressaltando que é reembolso (isto é o cliente arca com os custos e pede o dinheiro de volta), e além de existir um teto para pagamentos e o processo é longo especialmente na comprovação da necessidade desse atendimento/procedimento.

As pessoas mais saudáveis tem algum benefício quando fazem um plano de saúde? Isto conta?

Existe uma empresa (Vitality) que incentiva o bem estar de seus associados, ela oferece descontos em academias, cinemas, coffee shops, e uma série de outras facilidades, e até descontos na mensalidade se o segurado se exercitar, ter uma alimentação mais balanceada, e manter uma vida mais saudável.

Alex, tem algum ponto específico sobre os seguros que vale a pena ressaltar?

Uma coisa interessante sobre os planos de saúde e que é muito importante mencionar e que se alguém adquirir o plano e utilizar este plano, não pode cancelar, até que uma boa parte (dependendo da seguradora exige o total) deste custo seja ressarcido. Se você usou o plano, operou, se recuperou e resolveu cancelar, a seguradora vai te levar para a Court (Tribunal) e numa ação judicial você será obrigado a pagar o total da conta hospitalar.

Os seguros de saúde também cobrem o translado para o Brasil no caso de doença grave ou morte?

Infelizmente, em termos de seguros saúde, essas opções não são cobertas, existem outros produtos no mercado como Critical Illness Insurance, Life Insurance ou mesmo Income Protection (Seguro Salário) que são produtos desenvolvidos para esse tipo de necessidade sendo ajustados de acordo a necessidade ou orçamento de cada cliente com outros critérios de preços.

Para finalizar, o especialista aconselha que as pessoas que queiram ter um plano de saúde, devem procurar fazer enquanto estão saudáveis, senão depois fica bem mais complicado porque as apólices passam a ser mais altas e mais complexas. Com um atendimento personalizado fica mais fácil entender e escolher o que é prioridade no seu plano e dos seus familiares e não simplesmente entrar num pacote padrão feito para todo mundo.

Contato: Alex Arruda alex.arruda@me.com

Ioga para gestantes

Ioga para gestantes

A arte milenar que equilibra mente e corpo em benefício das futuras mamães.

No mundo agitado e apressado em que vivemos precisamos muito nos manter equilibrados. Além dos exercícios físicos que são fundamentais para a saúde, precisamos de práticas que acessar nossas mentes e nada melhor do que a ioga para fazer isto. A arte oriunda da antiga Índia equilibra mente, corpo e espírito nos dando a estabilidade que precisamos.

Conversamos com professora de ioga, Patrícia Tosi, formada pela Yoga Alliance e especializada na prática para gestantes, na técnica Birthlight (com foco no parto em sí) e também no período pós- parto, além de ter experiência em mindfulness e ioga para crianças, atualmente aplica a prática em escolinhas em Londres.

Segundo Patrícia os benefícios da ioga são inúmeros de um modo geral. Ela nos explica que aula de ioga se apresenta com as Asanas (posturas) Pranayma (respiração consciente e controlada) e Savasana (relaxamento no final de aula).
As posturas trabalham todos os músculos do corpo, tonificando e alongando, onde existe um específico alinhamento nas posturas e onde as juntas são trabalhadas igualmente de uma maneira segura, evitando lesões. Em uma aula mais dinâmica existe também um trabalho cardiovascular.

Pranayama, que é a respiração controlada, traz muitos benefícios. Ajuda a purificar o sangue com o aumento da circulação de oxigênio e auxilia todo o aparelho respiratório. Além de acalmar o sistema nervosa, reduzindo ansiedade e depressão (esses efeitos já estão sendo comprovados cientificamente!).

Savasana, que é o relaxamento, auxilia no sistema nervoso e muscular. Quando estamos mais relaxados, o organismo está mais apto a fazer “auto cura” incluindo dores crônicas.

A professora ainda nos diz que ioga também pode ajudar a reduzir a pressão arterial e diminuir insônia, assim como auxilia a prevenir artrite, dores nas costas, dores musculares, bursites, e melhora e muito a postura corporal. Além de tudo isso, posturas combinadas com respiração consciente, traz uma sensação de bem-estar físico e emocional. Em algumas tradições de ioga, postura é ligada com a respiração e dessa forma ioga se apresenta como meditação dinâmica e aplicada.

Benefícios da ioga para gestantes.

Quando falamos de ioga para gestantes, repetimos que elas recebem todos os benefícios já citados acima e ainda uma ajuda super importante na preparação para o parto.

Patrícia afirma que esta preparação tem foco na respiração consciente e específica para o parto, que auxilia muito as mães com níveis de ansiedade elevados deixando -as mais tranquilas, trabalha a concentração muscular fortalecendo o “pelvic floor”, muito importante na parte expulsiva do parto. Também auxilia no controle mental e emocional fazendo com que ela se sinta mais consciente, feliz e positiva, capaz de ter um parto normal sem a necessidade de drogas anestésicas. Afinal o nascimento de um bebê deve ser festejado, e não algo traumático.

Os exercícios auxiliam com as dores nas costas, má digestão, fatiga, níveis baixos de energia criando um corpo mais saudável e forte pronto para acomodar o bebê que cresce todos os dias. Além desse trabalho, aulas para gestantes também cria um suporte emocional, afinal todas estão passando pela mesma situação.

Vale lembrar que as classes são para gestantes acima de 12 semanas e com aprovação do médico. Não existem cuidados especiais na prática, mas as asanas (posturas) devem ser modificadas para acomodar as gestantes. A especialista afirma que em geral a futura mamãe pode ir a uma aula normal de ioga, mas é categórica quando diz que é imprescindível que o professor seja treinado em gestantes, já que os movimentos devem ser mais delicados. Pois se a aula acaba sendo muito difícil para a mãe, ela vai acabar desmotivada em vez de ter suporte que precisa. Normalmente a recuperação no pós -parto também é mais rápida para quem pratica ioga, uma vez que a musculatura pélvica já estava fortalecida e preparada para o trabalho de parto.

Após o nascimento o trabalho de ioga continua! Depois de 6 semanas, com aprovação do médico ou da midwife, estas aulas de pós-parto incluem o bebê. O trabalho de “pelvic floor” prosegue, as posturas continuam a serem modificadas, a aula ainda é mais leve, a respiração é controlada mas dessa vez para que a mães se sintam mais seguras e relaxadas com a trabalho difícil nos primeiros meses quando se tem um bebê em casa.

É muito comum nas aulas pós-parto mães terem que parar para alimentar o bebê, trocar, pegar no colo porque está chorando, tudo isso acontece ao mesmo tempo. É uma lição de vida para a mãe, de que tudo está ok, que o bebê chora, mas que ela não precisa se sentir desesperada, “overwhelmed “ e que o mais importante é aproveitar a companhia do bebê.

Patrícia afirma que não se deve ir para aulas normais de ioga enquanto está se recuperando do parto. E que os abdominais devem ser muito leves e progressivos. E se for cesariana se deve ter um cuidado extra especial com este tipo de exercícios.

Patrícia Tosi atualmente dá aulas as segundas – feiras, 12 horas para gestantes e as 14 horas ioga para mamãe e bebê, em Brixton no sul de Londres. Também oferece aulas particulares em domicílio para adultos. Maiores informações: patriciavits@gmail.com

 

Cheia de talento, a jornalista oficial do Portallondres, Katia Fernandes, tem o canal INSPIRE, que nos orienta e mostra que todas as mulheres podem inspirar outras mulheres/mães da comunidade.

Posso beber água da torneira em Londres?

Posso beber água da torneira em Londres?

Uma das coisas que sentimos muita diferença logo que chegamos em Londres e acredito em todo o Reino Unido é a qualidade da água.

A primeira coisa que escutamos é que ela não é boa para beber. Estudos apontam que isto foi repassado como verdade ao Ingleses faz algum tempo e que esta informação equivocada (more…)